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| Foto: Divulgação Pública envia por Edson Reis Fotografo |
No domingo, dia 11 de outubro, com a iniciativa da (UNE), com a união dos trabalhadores, sindicatos, movimentos sociais, torcida organizada do Corinthians e Palmeiras, comunidades de fãs ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, na Marcha pela Democracia, ato de campanha em apoio à reeleição do presidente Lula pela Democracia, presente a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), também entidade organizadora da manifestação. A campanha petista estimou mais ou menos 1 milhão de pessoas, em seus 2,8 quilômetros de extensão sem confirmação independente. O Poder360 calculou que o trecho ocupado, de sete quarteirões, comportaria cerca de 261 mil pessoas, a quatro por metro quadrado, e ressalvou que se trata de uma estimativa de capacidade, e não de uma contagem. De acordo com informações veiculadas no Pulso Político (Canal UOL), a manifestação ocupou cerca de sete quarteirões da Avenida Paulista, sobretudo no trecho entre a Rua Haddock Lobo e a Alameda Joaquim Eugênio de Lima, numa área estimada em 65.177 m². Imagens e relatos do local apontaram ainda dispersão de manifestantes por ruas adjacentes, incluindo trechos da Rua Augusta. Entre as pautas do manifesto, estavam a democracia, educação, ciência, riqueza do país, segurança territorial (fronteiras), o fim da escala 6×1 e a soberania nacional, segundo a Mídia NINJA.
A mobilização foi além de São Paulo. O Comitê Popular de Luta contou 156 ações em 76 cidades no domingo, entre elas Copacabana e Icaraí (Niterói), Salvador, Maceió, Goiânia, Brasília e João Pessoa, segundo a Metro 1. Antes, na quarta-feira (7), estudantes caminharam da Candelária à Cinelândia, no Rio, conforme A Tribuna. Na segunda (12), sambistas, escolas de samba, blocos e movimentos sociais se reuniram nos Arcos da Lapa, segundo a CN1 Brasil.
Os cantores Jão , Baco Exu do Blues, Daniela Mercury e Zélia Duncan e o ator Humberto Carrão estiveram no ato da Paulista. Nas redes, páginas de fãs de artistas como Beyoncé, Anitta, Lady Gaga, BTS, Taylor Swift, Katy Perry e BLACKPINK ofereceram seus perfis à campanha de Lula, sob a hashtag #FandomsComLula, segundo a TMC. Entre elas está a @beyoncebrasilcom. Os grupos dizem agir pela democracia e para informar indecisos, segundo o Estado de Minas. Do outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro busca nomes do sertanejo: Amado Batista declarou apoio, e Zezé di Camargo gravou um vídeo com o candidato em defesa de Jair Bolsonaro, informou o Estado de Minas.
O olhar de fora também pesa. A agência AP descreve Flávio como aliado de Donald Trump, e a Al Jazeera aponta implicações para toda a região. “A eleição no Brasil segue para um segundo turno acirrado entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro”, destacou a Al Jazeera ao repercutir o placar do primeiro turno, que colocou ambos os candidatos no centro das atenções da imprensa internacional.
A análise faz parte da cobertura especial Brazil election 2026 updates: Lulas faces Bolsonaro in a close race, publicada pelo veículo.
Segundo o Metrópoles, Trump não declarou apoio formal a Flávio, mas se aproximou dele, e o conselheiro Jason Miller o apoiou publicamente. O argentino Javier Milei foi à convenção do PL e atacou Lula, o que gerou crise diplomática. O chinês Xi Jinping manifestou apoio ao Brasil diante de pressões externas, em telefonema com Lula. A campanha petista também avalia buscar declarações de nomes como Leonardo DiCaprio, que em setembro esteve com o atual Presidente discutindo pautas ambientais, Mark Ruffalo, Roger Waters, Bernie Sanders, Zohran Mamdani e Yamandú Orsi, segundo a CNN Brasil. A reportagem trata de uma intenção, e não de apoios já declarados.
A repercussão também chegou ao Instagram. Veículos e perfis de comunicação de vários países publicaram sobre o segundo turno das eleições brasileiras, entre eles a Al Jazeera (@aljazeera), o AJ+ (@ajplus), a teleSUR (@telesurtv), o Infobae (@infobae) e o El Heraldo de México (@elheraldodemexico), além de outros perfis, como @globalsouthworldbr e @mais.quefandom. A lista completa está no fim da nota.
O segundo turno, em 25 de outubro, ainda não aconteceu, e o desfecho segue aberto. No primeiro turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos, e Lula, 45,16%; mais de 33 milhões de eleitores não compareceram, e outros 6 milhões votaram em branco ou anularam. A TV Globo marcou o debate entre os dois para o dia 23. Daí a pergunta do título. Sem o resultado, o Brasil pode ser vítima de um cenário de polarização. Com ele, pode se tornar herói aos olhos de uma região que observa o país.
A disputa também é de informação. A TMC verificou que é falso que um vídeo de mulher usando droga tenha sido gravado no ato da Paulista; a gravação, compartilhada por um perfil de Flávio Bolsonaro, já circulava em outros países.
Em meio à multidão, porém, uma imagem se destacou: a de um homem musculoso, sem camisa, que usava a própria peça de roupa para cobrir o rosto. A foto viralizou em poucas horas. Entre milhares de manifestantes, com cartazes, palavras de ordem e pautas concretas, o que a internet escolheu amplificar foi um tórax definido e um rosto escondido. Ele só foi entrevistado depois do registro. Não foram, portanto, as ideias que o tornaram conhecido.
Há uma ironia nessa comunicação visual: o rosto coberto sugere o desejo de anonimato, em nome de um coletivo, mas a viralização produziu o efeito contrário. Hoje se especula sobre a vida pessoal do homem, inclusive se é casado. Alguém que quis se somar a um ato cívico virou espetáculo, e sua exposição levanta questões de privacidade e segurança. Quem se manifesta tem o direito de não ser transformado em personagem nem de ter a vida investigada por curiosidade.
Enquanto isso, outros corpos sustentam essas manifestações sem câmeras por perto. Aos 91 anos, a deputada estadual eleita Luiza Erundina (PSOL-SP), primeira mulher eleita prefeita de São Paulo, discursou no ato, ladeada por militantes, pedindo votos em Lula: “Não me deixem partir sem garantia de que a democracia está assegurada”, registrou o Poder360. Ela completará 92 anos em 30 de novembro. Ao lado das lideranças, milhares de anônimos fazem o trabalho silencioso. A democracia não se mantém com imagens virais, mas com líderes e com a sociedade civil que participa, fiscaliza, vota e cobra.
Fica a reflexão:
• O que estamos curtindo e compartilhando? Quando o corpo recebe mais atenção que a causa, o que acontece com o debate público?
• Cabe à imprensa apenas registrar o espetáculo, ou também dar voz às pautas, apurar os fatos, proteger a identidade de quem se manifesta e não replicar Fake News?
• Se a responsabilidade de proteger a democracia é de todos, ela começa por onde? Talvez pelo cuidado com o que se escolhe propagar.
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| Foto: Divulgação Pública enviada por Bete Monta Jornalista IOCP |
Por Zenaide dos Santos S. Aguilar




















